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Juntos mais fortes

Era uma cantilena do Juan Pardo coa que nos abrasabam há anos os altofalantes dos carros electorais do PP fraguiano.

Hoje é a palavra de ordem: temos de remar juntos para seremos mais fortes e sair da crise.

Podem mirar aquí como os nossos esforços logram recompensa

Como uma “democracia” passou para ser uma “ditadura”

No final de 2008, os efeitos da crise na economia  são destruidores. Em outubro nacionaliza-se XXXXXXXXXXi, principal banco do país. Algum governo europeio congela todos os activos de seu subsidiario YYYYYYY, com 300.000 clientes desse país e 910 milhões de euros investidos por administrações locais e entidades públicas.

A XXXXXXXXXXXXXi seguiram-lhe os outros dois bancos principais, o KKKKKKK e o QQQQQQ. Seus principais clientes estão nesse país e em Europa, clientes aos que seus estados têm que reembolsar suas poupanças com 3.700 milhões de euros de dinheiro público. Por então, o conjunto das dívidas bancárias desse país equivale a várias vezes seu PIB. Por outro lado, a moeda cai como chumbo e a bolsa suspende sua actividade após um afundimento de 76%.

O país está em bancarrota.
O governo solicita oficialmente ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que aprova um empréstimo de 2.100 milhões de dólares, completado por outros 2.500 milhões de alguns países vizinhos.

Protestas cidadãs em frente ao parlamento em a capital vão em aumento. O 23 de janeiro de 2009 convocam eleições antecipadas e três dias depois, as batucadas já são multitudinárias e provocam o despedimento do Premiê e de todo seu governo em bloco. É o primeiro governo (e único que eu saiba) que cai vítima da crise mundial.
O 25 de abril celebram eleições gerais das que sai um governo de coalizão formado pela até daquela oposição
Ao longo do 2009 continua a péssima situação económica do país e no ano fecha com uma queda do PIB de 7%.
Mediante uma lei amplamente discutida no parlamento propõe-se a devolução da dívida a Europa mediante o pagamento de 3.500 milhões de euros, soma que pagarão todos as famílias  mensalmente durante os próximos 15 anos ao 5,5% de interesse. A gente volta-se a jogar à rua e solicita submeter a lei a referendo. Em janeiro de 2010 o Presidente da República nega-se a ratificá-la e anuncia que terá consulta popular.

Em março celebra-se o referendo e o NÃO ao pagamento da dívida arrasa com um 93% dos votos. A revolução  consegue uma nova vitória de forma pacífica.

O FMI congela as ajudas económicas à espera de que o país se resolva a devolução de sua dívida.
A tudo isto, o governo iniciou uma investigação para dirimir juridicamente as responsabilidades da crise. Começam as detenções de vários banqueiros e altos executivos.
Neste contexto de crise, elege-se uma assembleia constituinte no passado mês de novembro para redigir uma nova constituição que recolha as lições aprendidas da crise e que substitua à actual. Para isso, se recorre directamente ao povo soberano. Elegem-se 25 cidadãos sem afiliação política dos 522 que se apresentaram às candidaturas, para o qual só era necessário ser maior de idade e ter o apoio de 30 pessoas. A assembleia constitucional começará seu trabalho em fevereiro de 2011 e apresentará um projecto de constitução a partir das recomendações consensuais de diferentes assembleias que celebrarão por todo o país.  Deverá ser aprovada pelo actual Parlamento e pelo que se constitua depois das próximas eleições legislativas.

E para terminar, outra medida revolucionária do parlamento: a Iniciativa Moderna para Meios de Comunicação, um projecto de lei que pretende criar um marco jurídico destinado à protecção da liberdade de informação e de expressão. Pretende-se fazer do país um refúgio seguro para o jornalismo de investigação e a liberdade de informação onde se protejam fontes, jornalistas e provedores de Internet que alojam informação jornalística; o inferno para EEUU e o paraíso para Wikileaks.

Este texto que venho de reproduzir com pequenas alterações para “ocultar” de que país fala, está em espanhol aquí: a revolução silenciada.

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